
No dia 29 de agosto, os alunos do Curso de Jornalismo da ULBRA Canoas, receberam o jornalista Rodrigo Lopes, do Grupo RBS, para mais uma edição do Papo de Redação. Rodrigo, que é repór
ter-internacional da RBS, conversou por duas horas com os alunos, onde falou sobre o jornalismo multimídia e cobertura em áreas de conflitos.
Para ele, “sem boa história não há tecnologia nem edição que segure uma matéria”. Ele mostrou também o que pesquisou quando se interessou pelo multimídia, como Mark Broden e Kevin Sites, que cobriu vinte guerras em um ano, acompanhado só de uma câmera
“As vantagens de ser multimídia é que amplifica o teu trabalho, a tua audiência”, explicou Rodrigo, destacando também que o profissional mais completo tem uma maior valorização no mercado, e o quanto hoje em dia é preciso a imagem como ilustração (nessa parte Rodrigo destacou o profissional de imagem e a direção de fotografia).
Sobre mídias sociais, o jornalista acredita que uma mídia não elimina a
outra, e que os conteúdos utilizados nelas não podem ser os mesmos. Para ele, “a mídia social acabou com a arrogância do jornalista, ela veio a favor do jornalismo de qualidade”.
A conversa então rumou para o tema “enviado especial” e o seu livro, recém-lançado, “Guerras e tormentas: diário de um correspondente internacional”. A sua primeira cobertura, relatada no livro, é a eleição na Argentina, em 2003, que lhe rendeu o Prêmio Internacional de Jornalismo Rei da Espanha, recebido em Madri, pelas mãos do Rei Juan Carlos.
Rodrigo já cobriu a morte do Papa João Paulo II e a eleição do Papa Bento XVI, a posse de Obama, o furacão Katrina, o terremoto no Haiti, o resgate dos mineiros no Chile, duas guerras no Líbano, e uma na Líbia, neste ano.
O jornalista, que tem especialização em Jornalismo Ambiental e em Jornal

ismo Literário também já fez dois cursos de jornalismo em áreas de conflito, e acredita que um enviado especial precisa ser generalista, ter uma boa base psicológica, pois ele vai estar inseguro, com diferença de idioma e costumes, terá também de lidar com as dificuldades de logísticas e de transmissão e saber que a tomada de decisão é sempre dele mesmo.
Sobre este assunto, Rodrigo foi questionado se há alguma linha editorial, por parte do Grupo RBS, a ser seguida em áreas de conflito, ao que o repórter afirmou não haver nenhuma pressão, que a decisão é sempre dele, de modo independente.
Para ele, é importante o aproveitamento das fontes e de informações, e que muitas vezes o processo que se percorre para chegar à reportagem já é a própria reportagem. E ele, que agora realiza seu sonho de cobrir guerras e lembra-se das aulas de geografia de história, diz que “o jornalista se prepara a vida inteira para esse momento”.
Crédito Fotos: Jéssica Maldonado